Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

letras pessoais/políticas?

lembro de ler uma matéria sobre o deftones, muitos anos atras, de quando o "white pony" foi lançado, dizendo que as letras do chino moreno eram/são "extremamente pessoais." lembro de ler também muitas reviews sobre o 4ooyears comentando as músicas com profundas cargas emocionais e letras "politicas." a questão é: politicas ou não,

não seriam TODAS as letras pessoais?

parando pra pensar, não faz sentido dizer que uma letra não é pessoal. por que, mesmo as letras políticas mais panfletárias, no fim das contas, são pessoais. elas passam pelo filtro pessoal de quem escreve. é uma opinião e a opinião é pessoal.

se um anarco-punk grita "anarquia! abaixo o sistema!" é uma opinião. julgando que ele está sendo sincero, ele concorda e acretida nisso. é uma questão pessoal, um entendimento do indivíduo em relação a uma questão. uma letra não-pessoal teria que ser como um manual de instruções. uma bula de remédio, totalmente livre de julgamento, 100% imparcial.

mas, por outro lado, não seriam TODAS as letras políticas?

o termo "política" vem do grego antigo, πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relatívos a "polis", que significa sociedade, comunidade, coletividade ou, literalmente, cidade-estado. ou seja, procedimentos em relação a vida urbana e organização dos grupos humanos.

a maneira como nos relacionamos com outros indivíduos, inclusive amorosamente, é política. existe uma relação de poder e de conquista de poder (confiança - quando se confia, se pode), e essa relação vai ser fundamental na construção do indivíduo. então, mesmo escrevendo sobre o problema mais pessoal (o modo problemático com que se relaciona com uma gatinha, por exemplo), ainda assim, se está escrevendo sobre uma questão política.

sendo assim...

pode se dizer que o dead kennedys foi uma banda com letras extremamente pessoais e que o nx zero é uma banda com letras profundamente políticas a respeito da maneira como os indivíduos se relacionam.


dead kennedys - poétas introspectivos / nx zero - filósofos políticos

...né náo?

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

elizabeth harris é um ano inteiro

em homenagem ào meu estimado amigo gvn znzz:


grouper | heavy water / i'd rather be sleeping


"nunca" é um bom dia.
love is enormous.

Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

dan deacon é uma festa e meia!

em homenagem ào meu estimado amigo lcs rchwsk:

dan deacon | crystal cat

daria o mindinho pra estar lá.
<3 dean deacon.

Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

i know you're out there


here i am, the creek bed.

Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

o fim dos tempos

começa com a sensação de um certo vazio. já não há muito o que fazer, não se tem muita direção. e essa sensação só aumenta conforme o tempo passa. chega-se, então, no dia d, o marco zero, o ponto onde a contagem regressiva pro fim, de fato, começa.

25.

tudo para. o fim começa. 6 dias. cidade vazia, cabeça vazia, existência vazia. a rua já não faz mais barulho. a partir desse momento todos os dias passam a ser surreais, não só os chuvosos (que raramente aparecem nesse curto espaço de tempo).

buraco-de-minhoca.

é como se, por alguma razão, fosse criado um universo tangente, uma outra dimensão, que vai entrar em colapso em seis dias. a sensação apocalíptica do fim próximo, o calor, o vento, o silêncio. a luz, ao contrário do que se esperaria, é quem toma conta. à escuridão reserva-se apenas algumas horas. seis, as vezes cinco. seis dias.

31.

5, 4, 3, 2, 1, e é o fim. não há mais nada. tudo acaba. o universo tangente entra em colapso e somos jogados de volta ao universo principal, à dimensão "oficial," ao mundo "real." alguns deixam partes de si do outro lado, alguns não passam ilesos, alguns não passam.

e, ainda assim, eu amo essa sensação.

26: segundo dia.

Sábado, 20 de Dezembro de 2008

we work


bateria + guia ao vivo @ musicbox - 14dez08

resultados em breve.

Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

uma manhã de dezembro em porto alegre

esse sou eu, depois de uma manhã zanzando no centro de porto alegre no pré-verão:

"o incrível homem que derreteu"(1977)

na boa, o mundo precisa de um novo narrador (momento nãrd/rpg/psicopata)! ou, pelo menos, demitam o marco nanini do cargo de são pedro! 35ºC é humanamente impossível de se aguentar!

eu mataria por uma piscina.

Domingo, 7 de Dezembro de 2008

henri farber, tô com pressa!

uma parada que eu sempre quis, desde criança, foi gravar os meus sonhos. desde pequeno eu anotava, ficava lembrando, desenhava, contava e discutia sobre com os meus amigos...

meus sonhos sempre foram bizarríssimos. david lynch ficaria orgulhoso!

"ein?!" -david lynch

até hoje eu não sei a diferença entre sonho e pesadelo, já que os meus sonhos são tão absurdos. uma amiga me disse que acha que pesadelo é quando a pessoa acorda assustada de um sonho. acho que é uma boa explicação. na verdade, acho que essa coisa de sonho/pesadelo é muito mais consciente/teórica do que inconsciente/prática, por que, pelo menos nos meus sonhos, tudo acontece ao mesmo tempo.

eu sempre lembro dos meus sonhos. é raro não lembrar. mas o que acontece é que, se eu não ficar lembrando durante o dia, eu acabo esquecendo. tem também os que eu lembro, esqueço durante dias, semanas, meses, mas sempre que eu vejo alguma coisa relacionada ou puxo da memória eu lembro de tudo. tem sonhos que eu tive quando era criança que eu lembro até hoje, perfeitamente. alguns sonhos eu esqueci, mas remontei na cabeça baseado em conversas com amigos e anotações; alguns eu, mesmo logo depois de acordar, não consigo lembrar de nada, as vezes só de um frame, mas acordo com o sentimento, a sensação do sonho.

sam farber/trevor mcphee e claire tourneur

no final dos anos 70 o wim wenders e o bertrand tavernier tiveram uma série de discussões que acabaram resultando em dois filmes, um de cada. baseando-se nessas conversas, o tavernier dirigiu e lançou em 1980 um filme chamado "la mort en direct" (deathwatch, em inglês) e o wim wenders endoidou e levou mais de uma década pra produzir um filme de cinco horas, dividido em três partes, maravilhoso chamado "bins ans ende der welt" (até o fim do mundo, de 1991), que foi filmado em 15 cidades de 7 países de 4 dos 7 continentes. gastou-se aproximadamente 23 milhões de dólares e, a princípio, era pra ser rodado em 70mm e fechar a narrativa na áfrica - no congo, especificamente - mas a grana acabou antes de filmarem a cena da china. wendersin' não se deu por vencido e mandou a solveig dommartin, estrela do filme, sozinha pra china com uma camera portátil pra fazer as cenas que faltavam! haha

até o fim do mundo pode ser considerado um filme de ficção científica (l), embora, pra mim, ele seja um romance. a sinopse é a seguinte: um satélite nuclear indiano tá para cair na superfície da terra, causando desordem política e social. no meio desse caos todo, indo pra paris, a encantadora claire tourneur (solveig dommartin) bate o carro no de uma dupla de assaltantes de banco, que a convencem a levar grana pra paris. na tentativa de lucrar com a empreitada, a moça acaba salvando a vida de um estranho, trevor mcphee (william hurt), que engana a tadinha. mais tarde ela descobre que o tal trevor é filho de henry farber (max von sydow), um famoso cientista desaparecido que inventou uma revolucionária máquina capaz de gravar imagens que poderiam ser vistas por cegos. claire, então, começa a seguir o tal trevor. quando o reencontra, descobre que ele tá perdendo a visão, aos poucos, depois de percorrer vários países filmando imagens de paisagens, parentes e amigos pra serem mostradas à sua mãe, que perdeu a visão aos oito anos de idade. agora ele tem que voltar pra aldeia aborígene na austrália, onde fica o laboratório do pai, pra desenvolver a técnica de transmissão das imagens pro cérebro da mãe. só que os resultados não são exatamente os esperados e uma puta descoberta é revelada: a máquina é capaz de gravar sonhos!

e chegamos aqui no por que de eu ter citado esse filme. primeiro por que é um puta filme, lindíssimo e que faz umas críticas severas ào excesso de imagens no mundo moderno (isso em 1991, ein? - é um baita filme pra se pensar publicidade, por exemplo) e, segundo, por que o doutor henri farber descobre que a máquina que ele criou é capaz de gravar sonhos.

por isso faço o apelo: pô, doutores farber desse mundão, vamo apressar o passo aí! não aguento mais anotar meus sonhos no caderninho. já me bastam os calos de desenhar...

cena de "até o fim do mundo"

*e aqui vai um link pro trailer do "até o fim do mundo," já que o amigo que postou desabilitou a opção de embedar: http://www.youtube.com/watch?v=ssF9iD3YrK4

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nota: é impressionante como eu sempre venho aqui pra escrever um notinha e acabo escrevendo um livro! damn...

Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

o natal ta chegando, e o que jesus compraria?


...é, esse ano passou bizarramente rápido. talvez por não ter tido nenhum feriadão no segundo semestre, talvez por que o final da faculdade tomou a maior parte do meu tempo, talvez, talvez, talvez. quem sabe?

enfim, estamos em dezembro e logo mais é natal. juro, eu gosto do natal! não pela celebração ou pelos presentes, nunca ganhei muitos presentes quando era pequeno, mas também nunca pedi/quis muita coisa. na verdade eu acho um saco aquelas reuniões de família. sempre gostei mais dos rolés pela cidade, de madrugada, com os meus amigos ou dos natais só com os meus pais e irmãos. eu gosto mesmo é da sensação que começa no natal e que vai até o último segundo do dia 31 de dezembro - que vai ser tema de um próximo post. ;)

mas então, recomendarei um ótimo filme que aborda, justamente, esse simpático e significativo evento do nosso calendário:


"what would jesus buy?" foi lançado em 2007 e foi produzido por morgan spurlock, o mesmo que produziu, dirigiu e protagonizou "super size me." trata-se de um documentário que acompanha a tour da church of stop buying (ou "igreja do pare de comprar"em português), liderada pelo "reverendo billy" (que é uma figurássa), na tentativa da conscientização dos cidadãos norte-americanos, pra que eles comprem menos, não comprem produtos de maquiladoras (ou sweatshops - fábricas onde os empregados trabalham longas jornadas de até 20 horas diárias sem direito a benefícios como férias, auxílio doença, formação de sindicato, licença maternidade, etc) e evitem o shopocalypse (fim da humanidade pelo consumismo, excesso de consumo e os fogos de dívida eterna).

vale a pena assistir! você, jovem punk, pela crítica e pelo absurdo que é a loucura consumista americana, especialmente nessa época do ano; e você, que não se liga muito nessas coisas, por que é um filme extremamente divertido! ...pelo menos pelo reverendo billy que é um mix de elvis com padre quevedo. maluco! hahaha



baixe aqui (torrent).
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só uma notinha, aproveitando o link: o brasil, teóricamente, é um país laico e a constituição brasileira proíbe o estado de subvencionar ou estabelecer aliança com cultos religiosos ou igrejas. MAS, o presidente lula assinou um acordo com o papa benedito vxi garantindo o ensino religioso nas escolas públicas. isto é inconstitucional e se você também acha errado assine esta petição, se não, blzzzz.

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

guatemala expressions' out!


o "guatemala expressions" foi um dos primeiros trabalhos da lowtown em parceria com a marca de surf viking surfboards e, também, o primeiro dvd da marca, produzido entre 2006 e 2007. trata-se de um documentário sobre a cultura da guatemala e como o surf ajudou a levantar a economia do lugar. a viking é uma empresa com sedes na dinamarca e na florida e hoje é uma das maiores do leste dos estados unidos.

na trilha deste filme figuram este que vos escreve (sob a alcunha de supergoo), elma, eu serei a hiena, garage fuzz e canções para o fim do mundo.


guatemala expressions promo

compra aqui! :)