domingo, 7 de dezembro de 2008

henri farber, tô com pressa!

uma parada que eu sempre quis, desde criança, foi gravar os meus sonhos. desde pequeno eu anotava, ficava lembrando, desenhava, contava e discutia sobre com os meus amigos...

meus sonhos sempre foram bizarríssimos. david lynch ficaria orgulhoso!

"ein?!" -david lynch

até hoje eu não sei a diferença entre sonho e pesadelo, já que os meus sonhos são tão absurdos. uma amiga me disse que acha que pesadelo é quando a pessoa acorda assustada de um sonho. acho que é uma boa explicação. na verdade, acho que essa coisa de sonho/pesadelo é muito mais consciente/teórica do que inconsciente/prática, por que, pelo menos nos meus sonhos, tudo acontece ao mesmo tempo.

eu sempre lembro dos meus sonhos. é raro não lembrar. mas o que acontece é que, se eu não ficar lembrando durante o dia, eu acabo esquecendo. tem também os que eu lembro, esqueço durante dias, semanas, meses, mas sempre que eu vejo alguma coisa relacionada ou puxo da memória eu lembro de tudo. tem sonhos que eu tive quando era criança que eu lembro até hoje, perfeitamente. alguns sonhos eu esqueci, mas remontei na cabeça baseado em conversas com amigos e anotações; alguns eu, mesmo logo depois de acordar, não consigo lembrar de nada, as vezes só de um frame, mas acordo com o sentimento, a sensação do sonho.

sam farber/trevor mcphee e claire tourneur

no final dos anos 70 o wim wenders e o bertrand tavernier tiveram uma série de discussões que acabaram resultando em dois filmes, um de cada. baseando-se nessas conversas, o tavernier dirigiu e lançou em 1980 um filme chamado "la mort en direct" (deathwatch, em inglês) e o wim wenders endoidou e levou mais de uma década pra produzir um filme de cinco horas, dividido em três partes, maravilhoso chamado "bins ans ende der welt" (até o fim do mundo, de 1991), que foi filmado em 15 cidades de 7 países de 4 dos 7 continentes. gastou-se aproximadamente 23 milhões de dólares e, a princípio, era pra ser rodado em 70mm e fechar a narrativa na áfrica - no congo, especificamente - mas a grana acabou antes de filmarem a cena da china. wendersin' não se deu por vencido e mandou a solveig dommartin, estrela do filme, sozinha pra china com uma camera portátil pra fazer as cenas que faltavam! haha

até o fim do mundo pode ser considerado um filme de ficção científica (l), embora, pra mim, ele seja um romance. a sinopse é a seguinte: um satélite nuclear indiano tá para cair na superfície da terra, causando desordem política e social. no meio desse caos todo, indo pra paris, a encantadora claire tourneur (solveig dommartin) bate o carro no de uma dupla de assaltantes de banco, que a convencem a levar grana pra paris. na tentativa de lucrar com a empreitada, a moça acaba salvando a vida de um estranho, trevor mcphee (william hurt), que engana a tadinha. mais tarde ela descobre que o tal trevor é filho de henry farber (max von sydow), um famoso cientista desaparecido que inventou uma revolucionária máquina capaz de gravar imagens que poderiam ser vistas por cegos. claire, então, começa a seguir o tal trevor. quando o reencontra, descobre que ele tá perdendo a visão, aos poucos, depois de percorrer vários países filmando imagens de paisagens, parentes e amigos pra serem mostradas à sua mãe, que perdeu a visão aos oito anos de idade. agora ele tem que voltar pra aldeia aborígene na austrália, onde fica o laboratório do pai, pra desenvolver a técnica de transmissão das imagens pro cérebro da mãe. só que os resultados não são exatamente os esperados e uma puta descoberta é revelada: a máquina é capaz de gravar sonhos!

e chegamos aqui no por que de eu ter citado esse filme. primeiro por que é um puta filme, lindíssimo e que faz umas críticas severas ào excesso de imagens no mundo moderno (isso em 1991, ein? - é um baita filme pra se pensar publicidade, por exemplo) e, segundo, por que o doutor henri farber descobre que a máquina que ele criou é capaz de gravar sonhos.

por isso faço o apelo: pô, doutores farber desse mundão, vamo apressar o passo aí! não aguento mais anotar meus sonhos no caderninho. já me bastam os calos de desenhar...

cena de "até o fim do mundo"

*e aqui vai um link pro trailer do "até o fim do mundo," já que o amigo que postou desabilitou a opção de embedar: http://www.youtube.com/watch?v=ssF9iD3YrK4

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nota: é impressionante como eu sempre venho aqui pra escrever um notinha e acabo escrevendo um livro! damn...

1 comentários:

tatu disse...

Lonesome Kicker era massa, se não me engano foi na époc aque ele tava fazendo o Water Boy.
Seria o primeiro viral de filmes?! fica a letra.